Conheça o mercado dos quatro maiores tipos de transporte do Brasil

21/10/2016 às 3:24 - Atualizado em 17/01/2017 às 3:19

Um balanço dos principais tipos de transporte brasileiros: rodoviário, ferroviário, aeroviário e hidroviário

A partir da análise de dados do Ministério dos Transportes, do Anuário CNT – Confederação Nacional dos Transportes – e de instituições reguladoras, saiba mais sobre os quatro principais tipos de transporte brasileiros:

 1. Rodoviário

O setor com maior distribuição espacial no território brasileiro se comparado aos demais tipos de transporte. Segundo o Anuário CNT, a malha rodoviária brasileira cresceu em quase 40 mil quilômetros entre 2001 (170.902,9) e 2015 (210.618,8 km), considerando todas as estradas brasileiras, pavimentadas ou não. Porém, esse percentual ainda para atender à extensão do país.

A crise econômica evidenciou a fragilidade da infraestrutura rodoviária, especialmente para o Transporte de Cargas. Isso porque a euforia causada pelo aumento de crédito oferecido pelo BNDES nos últimos anos e a expectativa de aumento das safras fez saltar o número de frotas e de motoristas em relação aos outros tipos de transporte.

Hoje são mais de 700 mil profissionais autônomos (723.807), além de 156 mil empresas de transporte de carga regularizadas (156.765) e 329 cooperativas. A pesquisa da CNT ainda mostra que existem mais de 1 milhão de veículos nas estradas, entre caminhões, reboques e caminhonetes, etc.

A crise repercutiu no preço dos fretes, que não cobrem os custos de transporte. No Brasil, esse custo chega a ser 55% caro que em outros países porque a maior parte das vias está em péssimas condições, dificultando o serviço.

O Plano Nacional de Logísticas e Transportes do Governo Federal estima que seriam necessários mais de R$ 400 bilhões para resolver efetivamente as questões para esses tipos de transporte nas estradas. Já o CNT – Confederação Nacional de Transporte, calcula quase R$ 1 bilhão. De acordo com o portal do Ministério dos Transportes, foram investidos R$ 6,3 bilhões em obras públicas para o setor.

Apesar desse cenário desfavorável, o Anuário CNT indica que 41,6% dos motoristas avaliam como ótimo o pavimento das estradas. Mas, de maneira geral, somente 12,5% dos profissionais concordaram com essa afirmação.

 

 2. Ferroviário

Um dos tipos de transporte com potencial pouco explorado. O país tem quase 30 mil quilômetros de malha ferroviária que transportaram no ano passado 491 milhões de toneladas úteis, segundo o Anuário CNT. Mas problemas como falta de integração das malhas ou de manutenção delas contribuem para colocar o desenvolvimento ferroviário em segundo plano.

Infelizmente, muitas cargas que são transportadas por longas distâncias – e que deveriam ir nos trens -, são levadas nos caminhões e, graças às péssimas condições de muitas rodovias, ocorrem não só problemas com os prazos de entrega, mas também com o estado das mercadorias ao final da viagem.

O Anuário CNT também traz outros dados interessantes sobre o mercado: hoje são mais de 100 mil vagões juntando as 12 principais concessionárias brasileiras. O setor emprega mais de 40 mil funcionários e o índice de acidentes nas ferrovias foi de 13% em 2015. Previsões da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres – indicam que R$ 91 bilhões serão investidos até 2038 para melhoria das ferrovias.

Segundo dados do IPEA de 2010 (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o maior problema desse entre os demais tipos de transporte está justamente na falta de construção de vias e de trens, causada pelo pouco investimento do Governo Federal. Se em 2008 o modal rodoviário recebeu mais de R$ 33 bilhões, a quantia para o ferroviário não chegou aos 4,5 bilhões.

Hoje, os principais eixos do setor ferroviário são destinados para transportar commodities, como minério de ferro e grãos da agroindústria. Entre as principais ferrovias, estão a Ferrovia Norte-Sul, Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória-Minas.

3. Aeroviário

O Brasil é a segunda nação do mundo em número de aeroportos, mas somente 65 deles concentram praticamente todo o tráfego (98%), segundo dados da ANAC (Agência de Aviação Civil) de 2015. Ao todo, são 2.463 aeródromos registrados, 1.806 privados e 657 públicos. A agência ainda que ressalta que o volume médio de carga transportada em 2014 foi de 1,5 milhão de toneladas.

A aviação é um dos tipos de transporte que sofrem com a concentração de voos e horários em aeroportos localizados ou nas capitais ou em cidades mais populosas, o que interfere no planejamento e na organização para viabilizar o transporte aéreo, especialmente o de cargas. Uma consequência disso é o fato de que somente 20% dos compartimentos dos aviões são usados para transporte de cargas, de acordo com dados da ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

Alguns números do Anuário CNT para a aviação: foram transportadas mais de 400 mil cargas (410.593) em 2014, além de 117 mil passageiros. As companhias aéreas somavam 549 aviões em 2014 e tinham a proporção de 6,1 pilotos por mil decolagens.

4. Hidroviário

Um dos tipos de transporte mais comuns no Norte do Brasil, o modal hidroviário conta com 14 mil quilômetros de extensão, superando países, como Índia, Rússia e China, mas ainda abaixo dos Estados Unidos, que conta com uma malha de 41 mil quilômetros.

Apesar de corresponder a 90% das exportações brasileiras, é um dos tipos de transporte menos explorados, ainda mais tendo em vista as bacias hidráulicas do país. Alguns dados explicam o porquê: segundo dados do IBGE de 2014, o custo de movimentação de cargas pelo melhor porto do país era de US$ 13 por tonelada, enquanto a média mundial é US$ 7,00. O frete no Brasil fica com 35% do preço final do produto para exportação, já que boa parte das cargas trazidas para os portos ocorre por meio do transporte rodoviário.

O Brasil tem 37 portos públicos que funcionam como tipos de transporte de commodities, principalmente soja, minério de ferro, petróleo e derivados. Destaque para o Porto de Santos, que transporta maior quantidade de carga graças à sua posição estratégica. Segundo o Anuário CNT, foram mais de um bilhão de toneladas transportadas em 2015, destes mais de 100 milhões foram pelo Porto de Santos.


Referências

Agência de Aviação Civil, Notícias. Disponível em <http://www.aviacao.gov.br/noticias/2015/10/conheca-os-65-aeroportos-que-movimentam-o-brasil>. Acesso em 16 de setembro de 2016.

Anuário do Transporte CNT 2016, PDF. Disponível em <http://anuariodotransporte.cnt.org.br/>. Acesso em 16 de setembro de 2016.

Portal Brasil, Infraestrutura. Disponível em <http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2014/11/ibge-mapeia-a-infraestrutura-dos-transportes-no-brasil>. Acesso em 16 de setembro de 2016.

Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Disponível em <http://www.transportes.gov.br/>. Acesso em 19 de setembro de 2016.