Consolidação à vista

08/12/2016 às 1:13 - Atualizado em 08/12/2016 às 1:14

Sem promessas mirabolantes e sob a filosofia de entregar robustez e economia de custos aos clientes, a DAF comemora 3 anos de produção

A escalada foi milimetricamente calculada, mesmo porque um investimento de R$ 1 bilhão é algo excepcional e não admite erros, e eis que a DAF Caminhões comemora seus primeiros três anos de produção em Ponta Grossa, PR, com entusiasmo.

Com seus 250 funcionários extensamente treinados, a rede de concessionárias na ponta dos cascos e 1.400 caminhões vendidos, a DAF comemora em alto estilo, inaugurando oficialmente sua fábrica de motores nacional e o inicio da produção de quatro veículos por dia.

Michael Kuester, presidente da DAF Caminhões Brasil, esbanja otimismo com o momento vivido pela empresa, especialmente com a possibilidade real de chegar à participação de 5% no mercado de pesados até o final deste ano. Com uma linha de caminhões que tem mostrado baixo consumo de combustível, resistência e confiabilidade, a montadora deve crescer 59% este ano, mas não vai parar por aí.

“No ano que vem iniciaremos a produção de um fora de estrada, provavelmente teremos um programa de exportações e chegaremos a 7,5% de market share”, preconiza Kuester. O caminhão off-road com redução nos cubos será apresentado na Fenatran 2017.

O crescimento da marca holandesa no Brasil está baseado no desenvolvimento de veículos perfeitamente adequados às péssimas condições de nossas estradas e a uma Lei da Balança que contempla composições de até 74 t de pbtc. Além dos 900 engenheiros baseados na Holanda, os 25 que aqui atuam são fundamentais para adaptar os veículos às condições brasileiras de severidade extrema.

“Nossos testes são realizados dentro das empresas dos clientes, até agora já participaram 24 frotas diferentes e nelas foram rodados 6 milhões de quilômetros”, calcula Ricardo Coelho, diretor de Desenvolvimento de Produto da DAF Caminhões. Esse cuidado é tomado com todos os modelos produzidos em Ponta Grossa: todas as versões do DAF XF105 e do CF85.

O XF oferece motores de 410, 460 e 510 cv nas versões 6×2 e 6×4, enquanto o CF, com motorizações de 360 e 410 cv apresenta as configurações 4×2 e 6×2. “Os testes de validação servem para antecipar as dificuldades do dia a dia e para avaliarmos diversas aplicações em diferentes climas e regiões”, explica Coelho.

Por isso, o primeiro caminhão DAF nacional a rodar no país continua sendo acompanhado de perto. Ele foi entregue à Transportes Begnini, de Carambei, PR, e já ultrapassou os 500 mil km desde janeiro de 2014. O empresário Daniel Begnini não hesita em tecer loas ao seu primeiro XF105: “Ele nunca perdeu uma hora de trabalho e, além de robusto, seu custo de manutenção é menor que a metade de outros caminhões da frota”, assegura.

Contente mesmo está Luis Gambim, diretor Comercial da DAF Caminhões Brasil, principalmente com a façanha de ganhar pontos preciosos de mercado num período tido como a pior crise já vivida pela indústria de caminhões no país: “Já chegamos à participação de 4% do mercado, deixando para trás dois grandes players do mercado”, comemora Gambim.

O melhor é estar estruturado para o crescimento, diz ele. Para oferecer o melhor em serviços a DAF assumiu a revenda da marca em Guarulhos, que atende a Grande São Paulo, Baixada Santista e Vale do Paraíba. “A unidade deverá se transformar na referência da rede para configuração e atendimento”, adianta Gambim.

Sob o aspecto de serviços o número de concessionárias crescerá de 22 para 29 unidades, pertencentes a 14 grupos econômicos, e os postos de serviço de 5 para 8, aumentando a abrangência dos atendimentos de 80 para 94% do território brasileiro.

Com a frota rodante DAF se aproximando dos três ou quatro anos a diretoria já estuda a implantação de um programa de recompra de usados, primeiro para garantir o valor de revenda dos veículos e depois para incrementar a fidelização dos clientes à marca.

Outro grande diferencial da DAF Caminhões, este com DNA Paccar, é o sistema de peças TRP, que já conta com 26 linhas no Brasil e mais de 600 itens. Carlos Tavares, diretor da Paccar Parts Brasil, destaca que o sistema TRP é multimarca, o que possibilita ao transportador ter um só fornecedor para grande parte os itens da cesta básica de caminhões de várias marcas.

O sistema global conta com 17 CDs e um total de 2 milhões de m², com 14,3 milhões de itens, o que garante aos seus clientes uma disponibilidade de 99,5%. “São itens de colisão, manutenção e reparo, sempre com preços alinhados aos do mercado, mas com garantia de um ano”, esclarece Tavares.

Por isso, segundo ele, o TRP tem muito a crescer no Brasil. Na Europa o sistema integra lojas e oficinas e nos EUA a amplitude de atendimento é  maior ainda, fruto de seus 25 anos de mercado: “Nos Estados Unidos as peças TRP representam 70% do faturamento com peças”, diz o dirigente.

Nesta toada, a até agora acanhada fábrica de Ponta Grossa pode se agigantar nos próximos anos, assim como sua atual capacidade de 10 unidades/dia, para galgar dois dígitos de participação em médio prazo. Os modelos CF rígidos também devem colaborar muito para isso.