De volta à carga

18/05/2017 às 5:44 - Atualizado em 30/05/2017 às 5:06

MAN Latin America reposiciona as baterias, retoma a agressividade de vendas e lança campanha oferecendo juros baixos e a compra do seu usado

Depois da calmaria, bons ventos sopram para o lado da MAN Latin America, onde a esperança é de um crescimento de 20% este ano. Depois de dois anos de penúria, as vendas de caminhões e chassi de ônibus estão reagindo bem e devem evoluir ainda mais, enquanto as exportações caminham para um recorde histórico.

Roberto Cortes, presidente e CEO da MAN Latin America, explica que a montadora venceu um grande desafio neste período e graças às parcerias conseguiu minimizar os problemas e sair mais forte da crise. “Fizemos um trabalho conjunto com a rede, funcionários, fornecedores e banco e já colhemos os primeiros resultados – comemora Cortes -, o esforço é de todos e, juntos, retornaremos ao caminho do crescimento gradual e sustentável do país.”

O empenho envolve o próprio Cortes, que arregaçou as mangas e intensificou suas visitas aos clientes pelo país inteiro, deixou de fazer suas viagens quinzenais para a Alemanha e passou a fazer as reuniões com o Board por vídeo conferência. “A prioridade é sair da crise”, diz.

“O maior sinal de recuperação é a evolução das vendas do dia a dia, elas haviam se estabilizado em 140 unidades/dia e já alcançaram 200 unidades no final de abril”, anuncia Marcos Forgioni, vice presidente de Vendas & Marketing. O dirigente calcula que o crescimento desde janeiro chega a aproximadamente 6% e todos os indicadores mostram que a evolução continuará.

Para não ficar de braços cruzados diante da dificuldade, a palavra de ordem é partir para o ataque. “Vem que tem negócio: Seu caminhão já está na mão” é o lema do primeiro feirão online que a montadora está lançando e que deverá ficar no ar até o final de julho para alavancar as vendas internas.

Além de preços promocionais e valorização do caminhão usado do cliente, todos os caminhões da campanha virão com wi-fi instalado de fábrica e gratuito por um ano, para facilitar a vida dos motoristas e permitir total conectividade aos usuários.

O acesso para a nova campanha se dá por hotsite exclusivo, onde os interessados podem consultar os veículos e quantidades disponíveis em estoque, desde a linha VW Delivery até os extrapesados MAN TGX.

“Temos que marcar este novo momento, depois de dois anos de árdua crise”, diz Ricardo Alouche, diretor de Vendas e Marketing da MAN Latin America.

Segundo ele, qualquer pessoa abre um CEP no sistema e este o remete para a loja local – são 150 revendas pelo país -, que cuidará de atender à necessidade do transportador, avaliar o cadastro do cliente, sua capacidade de pagamento, o valor de seu caminhão usado de até 5 anos, mas admissível até 10 anos etc. Obviamente o valor do veículo usado depende de uma visita e avaliação presencial de um engenheiro de vendas da montadora.

“A ordem é de fechar negócios, temos um bom estoque disponível e se não estiver entra em produção com prioridade”, diz Alouche. Além disso, assegura o dirigente, a taxa de juros oferecida é de 0,99% ao mês (não inclui implemento), a melhor do mercado – a taxa do Finame está em 1,17%.

Preparando-se para a retomada, a MAN reduziu de 20% para 10% as folgas do PSE – Programa de Sustentação do Emprego, na sua fábrica de Resende, RJ, já visando a aumentar a produção da fábrica de Resende.

Um grande facilitador ao fechamento rápido dos negócios, segundo Alouche, é o cadastro de 60 mil clientes do Banco Volkswagen, 30 mil deles já pré-analisados. Isso abrevia sobremaneira a aprovação do crédito via CDC para no máximo 10 dias, provavelmente menos. Um ganho muito grande em comparação com a burocracia de aprovação dos bancos comerciais repassadores do Finame. Uma aprovação que demanda entre 30 e 40 dias.

Exportações

Além das boas notícias no mercado interno, um legado da crise foi o grande crescimento das exportações, tanto que no primeiro trimestre os embarques de caminhões e ônibus aumentaram 38%. “As vendas de caminhões na America Latina chegou pela primeira vez ao nível de 50 mil unidades, igualando-se às realizadas no Brasil em crise”, diz

Para ele, apesar de as vendas terem despencado 50% no México, a MAN apresentou um crescimento de 38% nas vendas, reforçadas pelos crescimentos verificados no Chile e os 80% registrados na Argentina. ”Com o mercado doméstico baixo temos condições de evoluir nas exportações e abrir novos mercados com grande potencial.” Um deles é a Colômbia, que apresenta grande potencial, especialmente para os chassis de ônibus OF 17.230.  

No acumulado do primeiro trimeste contaram-se 1.747 embarques, bem acima dos 1.250 do ano passado. Destaque para o Constellation 17.280, mais vendido da categoria na Argentina, e para a retomada das vendas na América Central, Costa Rica, Panamá e República Domenicana.

Roberto Cortes lembra também da importância da internacionalização da marca Volkswagen Caminhões e Ônibus: “O desenvolvimento de produtos sob medida é um dos nossos focos e tem o suporte do nosso ciclo de investimento de R$ 1,5 bilhão.” Esses produtos já estão em 20 países da América Latina.