Eficiência nos detalhes

07/06/2017 às 11:23 - Atualizado em 07/06/2017 às 11:23

Nova Torino S traz até 30 itens padronizados para proporcionar o melhor resultado possível para o empresário e baixar os custos entre 5 e 10%

Na linha de montagem da Marcopolo Rio na aprazível Xerém, na baixada fluminense, já são produzidas as novas carrocerias Torino S, desenvolvidas especialmente para proporcionar maior rentabilidade aos empresários e também disponibilidade aos veículos.

Depois de uma ampla pesquisa diretamente com as empresas do transporte urbano de passageiros, a encarroçadora promoveu entre 25 a 30 mudanças na consagrada linha Torino, que continua a ser produzida, e concebeu um carro que oferece menor custo em vários itens.

Primeiro, a engenharia da Marcopolo, projetou modernizações que facilitam totalmente o acesso aos itens de manutenção frequente, permitindo um ganho de tempo valioso e a utilização de materiais mais nobres, como o Led, que estendem sobremaneira os prazos de manutenção. Por isso, Torino S, esse de solução.

A nova carroceria, todavia, mantém todos os atributos de robustez e eficiência de operação da sua linha original. Mantém também o preço, dando como benefício um custo de manutenção reduzido entre 5 a 10% dependendo das condições de operação.

“Com isso esperamos colaborar para estimular e acelerar a renovação de frota das empresas do segmento urbano”, explica Paulo Corso, diretor de Operações Comerciais e Marketing da Marcopolo. A suspensão da renovação de frota das empresas é patente pela própria situação da planta industrial de Xerém, ex-fábrica dos automóveis Alfa Romeo e dos caminhões Fiat Diesel.

A fábrica, que chegou a montar até 28 carros/dia, hoje se ocupa de aprontar apenas 7 ônibus por dia. Os 2.200 funcionários da época das vacas gordas também minguaram para apenas 700. Tempos difíceis estes que vivemos.

Para Corso, não era sem tempo esse lançamento. “A nova geração Torino foi lançada há 3 anos e desde então o mercado caiu 70%”, lamenta o dirigente. Convivendo com a maior crise que o setor jamais conheceu, restava assim conceber um carro que aumentasse a rentabilidade e desse esperança de vendas mais firmes para colher as benesses do novo produto.

“As dificuldades do segmento vem da crise econômica, das tarifas políticas e das dificuldades de crédito”, enumera Corso. Restava então sacar um modelo que permitisse economia na operação e na manutenção, projetado especialmente para cinco chassis do tipo F, três da Mercedes-Benz e dois da MAN Latin America.

Os chassis de motor dianteiro, aliás, mantém-se como preferência nacional no transporte urbano, alcançando 80% do mercado nacional, exceção feita à capital paulista. São eles os Volkswagen 17 e 22 toneladas e os Mercedes-Benz de 15 e 17 toneladas, este ultimo com uma versão com suspensão a ar.

Um diferencial de grande peso é que o Torino S representa praticamente um carro de prateleira, pois tem o maior número de itens semelhantes. Essa caraterística faz com que um S possa ter um prazo de entrega de apenas 30 dias, simplesmente a metade do Torino convencional, que demora 60 dias para deixar o “estaleiro”.  

O produto foi desenvolvido ao longo de dois anos para garantir ao operador a máxima eficiência operacional, graças a uma manutenção simplificada, mais rápida e, portanto, com menores custos, mas com os mesmos atributos de robustez e confiabilidade comuns a todas as outras versões do Torino.

Além disso, o novo Torino S consegue oferecer qualidade, conforto, segurança e maior espaço para os passageiros e motorista. O novo carro teve a largura aumentada de 2.480 para 2.550, o que ampliou o salão de passageiros, mas não só para eles, com também para o cobrador cujo espaço ganhou centímetros preciosos.

 

“Desenvolvemos o Torino S, esse que representa Soluzione (solução, em italiano), produto que mantém todos os atributos da família Torino e que proporciona praticidade, facilidade de manutenção, redução no custo operacional e no tempo de reparação e ergonomia e conforto para o condutor”, destaca Corso.

A expectativa da fabricante é comercializar mais de 1.000 unidades ao longo de 2017 e que a versão tenha uma expressiva participação do volume total de veículos dos modelos urbanos.

Entre os itens que compõem o Torino S estão vidros das portas à metade, saia aberta em vez da arredondada, pois, embora a arredondada seja esteticamente mais bonita, a aberta possibilita menor tempo de manutenção.

Sinaleiras e faróis em Led, que exibem uma durabilidade muito maior são outras modernizações, enquanto melhorias também foram instaladas no duto de ar condicionado, que foi estendido até o painel frontal e possibilita melhor fluxo de ar no salão. Para minimizar os custos de manutenção incluiu-se o para-choque de três partes, menor custo por item e menor tempo de reparo.

Para customizar e comunizar o carro, os vidros laterais foram padronizados, retrovisores idem e disponibilizado novo sistema de limpadores de para-brisa. O nível de detalhe inclui até a transferência da caixa da placa do veículo do para-choque traseiro para a traseira do veículo para evitar pequenas colisões.

Também estão neste rol os faróis e lanternas intercambiáveis e em conjuntos isolados, para permitir trocas isoladas e não de todo o conjuntos ótico.

Renovação

“O foco do Torino S é a operação – ressalta Paulo Corso -, ampliamos os atributos de conforto, segurança, acessibilidade para passageiros, motorista e cobrador, e, ao mesmo tempo, adotamos conceitos práticos e eficazes para quem precisa manter o veículo sempre em operação”.

Luciano Ricardo Resner, diretor de Engenharia da Marcopolo, observa que a nova versão foi desenvolvida com base no que os clientes desejam, com as principais informações transmitidas para a rede de representantes em todo o Brasil.

“Nosso trabalho foi ampliar ainda mais a vocação do modelo para a aplicação pesada e contínua. Suas características de manutenção mais fácil, rápida e barata, vão proporcionar ao transportador manter o veículo mais tempo em operação e realizar quaisquer reparos da forma mais rápida”, explica Resner.

“Analisamos os hábitos de compra dos principais clientes brasileiros e buscamos a padronização de componentes e opcionais, reduzindo em muito o tempo para fornecimento do produto”, observa ele.

A praticidade para o operador começa na oferta de configurações. São 24 diferentes configurações para os cinco principais modelos de chassis urbanos vendidos no Brasil, de 11,2 m até 13,2 m de comprimento. O novo Torino S será montado inicialmente com Mercedes-Benz OF 1519, OF 1721 e OF 1721 L e os MAN VW 15.190 OD e VW 17.230 OD.

A intenção principal com o lançamento é a esperança da retomada da renovação de frota depois de dois anos de penúria. Neste período as vendas despencaram de 16 ou 17 mil unidades/ano para 7 mil. “Esperamos pela retomada e a estabilização do mercado entre 12 a 15 mil unidades”, diz Corso. Muito além do primeiro trimestre do ano: o resultado de queda de 30% em relação a 2016 foi desastroso.

Hoje os micro-ônibus respondem por uma participação de 20 a 25%, os rodoviários por entre 65% e os urbanos por uma fatia de apenas 20 a 25%. As empresas de fretamento não compram há 3 anos, culpa obvia da legião de desempregados do país. A indústria sofre com uma ociosidade de 60%.

A esperança agora é a queda dos juros, da TJLP, a recuperação da economia e o crescimento do número de empregos. O Refrota é outra esperança, embora até agora dezenas de reuniões não tenham sido suficientes para dar o start no sistema que promete R$ 3 bilhões para promover a mobilidade urbana no país, pelo menos três projetos estão adiantados, segundo Corso: os das cidades de Suzano e Valinhos, em São Paulo, e de Londrina, no Paraná.

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