Gestão com exatidão

06/11/2017 às 9:41 - Atualizado em 06/11/2017 às 9:41

Milhares de pontos de checagem ajudam a administrar frotas com grande economia de consumo, manutenção e outros mais.

Pedro Bartholomeu

Telemetria pode ser muito mais útil do que apenas garantir o desempenho de carros da F1, pode ser a diferença também na gestão da operação de transporte. É isso o que se propõe a Cobli, empresa paulistana que utiliza o big data para o segmento de transporte comercial e setores de serviço.

Vencedora da New Venture Competition, competição promovida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, cujo objetivo é premiar negócios inovadores, essa startup tem prestado ajuda a ene empresas na parametrização das operações com veículos.

“Nossa missão é fornecer informações exatas às empresas para que elas embarquem num ciclo de grande eficiência”, explica Parker Trency, o fundador da companhia. As informações, sua compilação e transformação levam a grande economia nos custos totais de operação.

Com um time de cerca de 30 profissionais e quase a metade formada por mestrados e doutorados em ciências da computação, a Cobli tem capacidade de coletar e analisar informações que mapeiam desde o desempenho dos veículos até o comportamento dos motoristas nos seus mínimos detalhes.

Ratificando que a informação é o bem mais precioso destes novos tempos, centenas de parâmetros são levantados e aprimoramentos realizados, com resultados muito expressivos para os gestores de transporte. “Alguns de nossos clientes conseguem ganhos de até 40% nas suas operações”, assegura Trency.

Isso é possível porque a análise de milhares de dados permite identificar o comportamento de motorista, se ele dirige agressivamente, se a velocidade é sempre excessiva, se o uso dos freios é brusco e frequente, se o veículo mantém marcha lenta por longos períodos etc.

“A detecção de problemas e vícios do motorista é facilmente observada e seu modo de dirigir é reciclado”, diz ele. Assim, dependendo de como o condutor faz uma curva e a intensidade e quantidade com que uso o freio permite iniciar uma intervenção.

Com uma precisão de 92%, segundo Trency, o mais alto índice já conquistado por uma empresa no mundo, o dispositivo da Cobli permite amplas vantagens para o operador de transporte. “Eles podem identificar com toda a certeza qual é o funcionário responsável por uma má entrega, melhorar o índice de atendimento e muito mais”, enumera. Também é importante dizer que a consequência de condutores mais cuidadosos e atentos ao volante permite negociação de prêmios de seguro mais em conta e dados precisos para premiação, se for o caso.

Para se ter uma ideia da disponibilidade de dados, Trency calcula que uma frota de 100 veículos gere até 220 milhões de pontos de dados por ano, uma quantidade que permite controles dos mais simples aos mais sofisticados. Essa é a razão de a mensalidade variar entre R$ 80,00 até R$ 200,00.

A captação é realizada através de um OBD – On board diagnostic, dispositivo instalado sob o painel do veículo e alimentado por um painel solar colocado no para-brisa. O ponto mais importante é que a equipe da Cobli avalia todas as informações e busca soluções para os problemas.

Segundo ele, é o que há de mais moderno, utilizando o conceito Plug&Play, basta encaixar o dispositivo na entrada OBD do veículo e ele funciona como um pen drive. Por meio de um gadget e um app (Android e iOS) é possível identificar problemas e saber a localização. Em caso de acidente o dispositivo dispara um SMS automático para os contatos. 

Do mundo virtual ao real, Luiz Henrique de Menezes Alves, diretor Executivo da Império Desentupidora e Dedetizadora, empresa com uma frota de 45 veículos, tirou a sorte grande ao apostar na rapaziada da Cobli. “Já usada sofwares de rastreamento e monitoramento, mas não estávamos satisfeitos com os resultados”, confessa.

Depois de uma ampla pesquisa Alves chegou à Cobli e comemora três meses consecutivos sem nenhuma multa. “Nossa vida não era fácil, sofríamos com a falta de controle real da operação da frota”, lembra o executivo.

Hoje, a Império contabiliza economias substanciais em seus custos operacionais com a frota. O consumo de combustível baixou 10% com o treinamento forçado dos motoristas e o número de multas de trânsito, a maioria por excesso de velocidade despencou.

“O montante com multas despencou de R$ 2 mil/mês para R$ 300,00 e estas, mesmo assim, de baixa gravidade, como esquecer de dar aviso de mudança de faixa ou o braço na janela”, alivia-se Alves. O alívio veio depois do número de multas por velocidade e de os condutores receberem muito pontos na carteira, que ficava próxima da cassação. Outro detalhe importante é que a necessidade de reparos emergenciais, corretivos, registrou uma queda de 50% e muita dor de cabeça. “Na época vários carros tinham que parar três ou quatro dias na oficina e tínhamos que usar a frota reserva direto.”

 

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