Parceria lucrativa

09/12/2016 às 9:35 - Atualizado em 09/12/2016 às 9:38

Atendimento em nível gerencial, auditoria e monitoramento constante e treinamento intensivo elevam a rentabilidade das empresas ao máximo

O nível do pós-venda chegou a tal patamar que já está difícil dizer onde poderá chegar daqui a alguns anos. Quando consumidor e fornecedor trabalham juntos, o resultado certamente é o melhor possível e a questão extrapola o corriqueiro, indo muito além de batidos itens como custo operacional, produtividade, fidelização e rentabilidade.

Um dos melhores exemplos vem ocorrendo entre a Volvo e a Viação Santa Brígida, de São Paulo, uma das mais tradicionais da capital paulista. Zelosa de seu compromisso de manter a empresa de transporte urbano numa situação de máxima eficiência, a diretoria da viação firmou uma parceria com a rede da montadora e adotou o sistema ”Equipe dedicada” proposto, um conceito no qual a montadora se compromete a estudar a melhor maneira de operar e manter a frota de veículos, enquanto os representantes da empresa aplicam na prática as soluções propostas.

Hélvio Lopes, gerente de Pós-venda da Volvo do Brasil, explica que a convivência com os clientes mudou muito nos últimos tempos: “historicamente a convivência com os clientes sempre foi reativa e não interativa como é hoje. Na busca de soluções para aumentar a rentabilidade do cliente, a troca de informações agora é muito mais proativa e os resultados são muito melhores”, diz ele.

A viabilização dos resultados começa com a implantação de um comitê, reunindo um diretor e o gerente de manutenção da empresa e um gerente de pós-venda e um mister bus por parte da montadora. O objetivo é acompanhar extensivamente a evolução da operação e manutenção dos carros e perseguir resultados cada vez melhores.

Isso significa consumo de combustível continuamente decrescente e cesta básica com prazo estendido, à melhor maneira das manutenções preditivas. Tal resposta requer três ou quatro reuniões por ano, de maneira a garantir a rentabilidade do cliente e o conhecimento extensivo do seu negócio. Além disso, o trabalho inclui a otimização da roteirização dos percursos, o carregamento médio, a severidade das linhas, a seleção do melhor veículo e a reciclagem constante dos motoristas.

“Em 2015 o programa Equipe Dedicada foi aprovado, depois de servir a  72 clientes, com os quais foram realizadas 226 reuniões e fechadas 633 ações para elevar a rentabilidade dos nossos clientes”, enumera Lopes, para quem em 2016 o número de viações atendidas deve chegar a 100.

Do outro lado do balcão, Fernando Cesar, gerente de Manutenção da Viação Santa Brígida, fundado em 1948, ao qual pertence a Santa Brígida. O grupo mantém uma frota de 2.173 veículos em 8 garagens e os serviços de 1.263 funcionários da manutenção. A parceria produziu muitos dividendos para a empresa, que roda 12.596.200 km/mês e transporta 11 milhões de passageiros/mês.

As ações atingem os mais variados segmentos dentro da companhia, desde a operação, treinamento, recursos humanos até compartilhamento de práticas de gestão. Especificamente na Santa Brígida são 844 carros, entre eles 190 Volvo B200R e 10 articulados da marca de 18 metros.

A sintonia fina aplicada em todas as áreas produz resultados animadores e exponenciais para um transportador que consome 2,6 milhões de litros de diesel/mês. “Na manutenção conseguimos oferecer peças remanufaturas até 48% mais baratas que as novas”, diz Lopes. Com a aplicação dos princípios da manutenção preditiva, a empresa conseguiu estender em 330 mil quilômetros as paradas de manutenção nos compressores de ar – cerca de 10% acima da quilometragem anterior.

Já em relação à economia de combustível, os 511 motoristas instruídos e cadastrados pelo Fleet Manager, chegam a registrar 5% de economia ou 200 mil litros de combustível/mês.

Graças ao programa foi possível minimizar o sobregiro, um dos principais problemas da empresa, já que cada ônibus permanece 2 horas/dia em marcha lenta e isso representa milhares de litros de perda. Algo monitorável graças à telemetria com gestão remota utilizada.

“Em termos reais, nossas despesas com manutenção caíram 2,6% e o consumo de diesel caiu 5,37%”, diz Antonio Carlos Lourenço Marques, diretor da empresa. Outro número impressionante foi que o número de colisões despencou 37%.

Graças ao monitoramento dos resultados individualizados de consumo os 20 motoristas de menor performance são encaminhados à reciclagem. Um procedimento que tem sucesso entre 85 até 90% dos condutores treinados.

“A condução econômica e segura reflete em gastos menores imediatos para sistemas paralelos como a suspensão e injeção, por exemplo”, diz Fernando. Apesar de tudo, o sucesso do programa tem tudo a ver com a compreensão do conceito pelo cliente, há que existir a atitude, a vontade de mudar.

Outro velho conceito que desmorona com o programa é o da impossibilidade de mudanças. “Não adianta reclamar? Adianta sim – diz Marques – e por isso fomos aprender como com o RH da Volvo.”

Assim, os números estão cada vez melhores na Santa Brígida, o indice de confiabilidade aumentou 19% e o de satisfação evoluiu proporcionalmente. Fernando explica que tal índice vem do MKBF, sigla americana para quilometragem média entre falhas, aqueles eventos que interrompem uma viagem. Ou seja, essa quilometragem aumentou 19%.

 

Fernando: “Paradas de manutenção alongaram e disponibilidade aumentou”

 

Texto: Pedro Bartholomeu