Presidente da Anfir lamenta situação atual da Economia

27/07/2016 às 7:44 - Atualizado em 27/07/2016 às 7:57

Presidente da Anfir lamenta situação atual da Economia

Presidente da Anfir lamenta situação atual da economia que puxou a indústria de implementos nacional à situação de dez anos atrás

Matéria da Revista Edição nº125, no ano de 2015

Sofremos um retrocesso de dez anos”, lamenta o presidente da Anfir, Alcides Geraldes Braga, a respeito da produção de implementos pesados no Brasil no primeiro semestre deste ano, que registrou a montagem de mirradas 30 mil unidades. Tal quantidade só foi registrada em 2006, a dez anos atrás.

Em comparação com o ano passado, este ano, entre janeiro a junho o número de emplacamentos chegou a 45.894 unidades, bem abaixo das 76.947 do último período. A grande queda ocorreu nos semirreboques, com baixa de 48,7%, refletindo a conjuntura de crise nos segmentos de indústria e comércio em geral.

Menos pior para os leves, que patinaram e retraíram “apenas”  35,4%, ou seja, saíram das linhas de montagem 31.218 unidades de carroçarias sobre chassi, contra 48.314 no ano anterior. Esses números menos piores foram registrados graças ao setor de distribuição e pequeno comércio, especialmente ligados à construção e alimentação.

Nas exportações, apesar da decolagem do valor do dólar nada muito diferente disso. A queda de 32% deveu-se, segundo Braga, ao abandono da alternativa nos períodos de Real forte, o que deixava a opção pouco atrativa para os implementadores. “Nessa frente estamos retomando os negócios”, diz Alcides.

A recuperação depende de várias frentes, afinal as esperadas 90 mil unidades totais deste ano estão muito abaixo da capacidade instalada de 215 mil implementos por ano da indústria.

Braga admite que 20% da força de trabalho da área já perderam seus postos, apesar de grandes empresas como a Randon e a Guerra terem feito suas próprias reduções de jornada desde o início deste ano. O número de funcionários baixou de 70 mil para 50 mil.

“Isso também foi conseqüência das compras oportunistas de 2014, ocasião de crédito farto e barato”, diz ele.

Resultado: um monte de gente, que não precisava de caminhões e implementos, embarcou no consumismo de ocasião, enchendo galpões de veículos. Fazendo a conta rasa de vendas por motoristas chegou-se a dizer que faltavam 100 mil motoristas no Brasil. Absurdo próximo a garantir que um em cada quatro veículos rodoviários pesados estariam parados.

Para Braga, até o consórcio, uma instituição brasileira, não tem ajudado ao setor de encarroçamento: “A taxa de conversão do consórcio é extremamente baixa”, lamenta ele, dizendo que a linha vem sendo usada como uma espécie de poupança.

As salvaguardas para o segmento hoje em dia têm sido as categorias leves, como os implementos sobre chassi, que vivem da economia geral, com uma grande base de pequenos clientes e raros setores como o de toras, mas que é sazonal e não pode ser considerado.

Um bom sinal para o segmento foi o acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que possibilitará aos pequenos agricultores comprar implementos rodoviários através do Pronaf, leia-se programa Mais Alimentos.