Scania lança cavalo-mecânico 8×2 em parceria com a Transpanorama

27/07/2016 às 7:26 - Atualizado em 27/07/2016 às 7:26

A produtividade dos 8x2 foi aprovada: consegue rodar 10 mil km/mês contra 7 mil km/mês dos bitrens

Scania lança cavalo-mecânico 8×2 em parceria com a Transpanorama com objetivo de elevar a flexibilidade e a eficiência operacional no transporte de grãos

Matéria da Revista Edição nº125, no ano de 2015

Se há algo de bom nos tempos bicudos é que justamente neles emergem algumas soluções que se perpetuam depois. Mais ainda se estas estiverem ligadas a tentativas de clientes para incrementar a rentabilidade do negócio e estabelecer um novo patamar de competitividade.

Foi exatamente isso que aconteceu com o desenvolvimento do novo cavalo-mecânico 8×2 da Scania, o R 440 LA8x2, um trator que composto com um semirreboque de três eixos, com pbtc de 54,5 toneladas. Com tal capacidade, a composição se posiciona entre a “vanderleia” e o bitrem de sete eixos, mas coleciona uma série de vantagens em comparação com essas alternativas. Os ganhos vão desde o consumo de combustível, a durabilidade dos pneus, a economia de custos com pedágios, em velocidade média, em disponibilidade do veículo e em produtividade.

Tudo começou, segundo Celso Mendonça, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Scania, em 2009, quando a portaria nº 63 foi re-editada, possibilitando a montagem de configurações 8×2 de 37 toneladas em uma única plataforma. Mais recentemente – uma sinalização fundamental para este lançamento -, o departamento técnico do G10, de Maringá, PR, fez algumas unidades com adaptações para testar o real desempenho da composição. “Os 8×2 são melhores que as vanderleias e muito melhores que os bitrens”, diz ele, referindo-se aos resultados da opção no G10.

As 200 unidades de cavalos-mecânicos 8×2 são prova que a solução havia se transformado num sucesso operacional e financeiro. “É sem dúvida o melhor custo beneficio para o transporte de grãos”, constatou Valdecir Coelho Adamucho, diretor Comercial da Transpanorama, em todos esses anos.

“Com a lei da obrigatoriedade de uso de composições 6×4 a eficiência dos bitrens caiu, primeiro pelo maior custo de aquisição, depois pelo aumento da tara do veículo”, lembra Adamucho, hoje satisfeito com a configuração 8×2. A Transpanorama, então, realizou testes com dois tratores com o quarto eixo em 2011.

Os resultados foram auspiciosos, o novo veículo se mostrou ágil, com uma capacidade de carga excelente e, além de outros atributos, não tinha nenhuma restrição como as dos articulados, que necessitam de AETs para circular, e adequado para transportar grandes cargas indivisíveis.

A solução caseira passou a evoluir ainda mais com o auxilio da concessionária Scania da área de Maringá, a Irmãos Lopes, antiga parceira da Transpanorama. Encurtando a história, a visão dos Adamucho levou a montadora a um pico de 25 engenheiros trabalhando em cima do projeto, de maneira a transformar a ideia num veículo de fábrica e totalmente confiável. Foram 9 mil horas-homem de trabalho até o resultado final.   

Victor Carvalho, diretor de Vendas de Caminhões da Scania, diz que o 8×2 é o melhor negócio para o frotista. “O veículo possibilita alta eficiência com um baixo custo operacional e elevada flexibilidade”, diz ele, para quem já existem no país cerca de mil configurações do tipo, mas a absoluta maioria delas montadas em terceiros, não na fábrica.

Só esse detalhe já é um empecilho e tanto para o frotista. “A implementação do cavalo-mecânico com o quarto eixo e mais o tempo de desenrosco da papelada nos tomava um mês”, relembra Adamucho. Para uma frota isso significa muito, pois, a partir de 12 unidades só a adaptação corresponde a um caminhão parado por ano, no mínimo.

A esse detalhe se somam outros tão importantes como. Valdecir lembra, por exemplo, que as restrições ao transito de bitrens causam muitos prejuízos de indisponibilidade e também de eficiência. “Enquanto um bitrem da Transpanorama roda cerca de 7 mil quilômetros/mês, um 8×2 chega a rodar 10 mil”, calcula o dirigente.

E não é só isso. Os ganhos de transbordo são muito maiores. Enquanto um bitrem é descarregado em ponto remoto, os 8×2 são descarregados em rampa, situação que acelera os tempos e libera muito mais rapidamente os veículos. O comprimento também é uma dor de cabeça na hora da manutenção: apesar dos reboques curtos é preciso instalar valetas fora do padrão. “A produtividade do 8×2 é 15% maior que a do bitrem”, diz Adamucho.

Ainda no descarregamento outro empecilho: as vanderleias são impedidas de usar os tombadores devido à sua falta de estabilidade, sofrendo assim restrição na operação.

No capitulo pneu, item que representa o segundo custo na planilha de variáveis, o débito das vanderleias diante do 8×2 é grande. Na Transpanorama, a vantagem da nova alternativa chega a 12%. “O arrasto na vanderleia é muito grande”, relata. E mesmo em relação ao bitrem a vantagem é representativa para o 8×2. Apenas no cavalo-mecânico são seis pneus levantados por viagem de volta, na maioria das vezes, só no trator. Computando-se o valor dos pedágios, dois eixos a menos no cavalo já fazem uma tremenda diferença.         

“Realmente as vantagens oferecidas pela opção 8×2 são inúmeras e flagrantes”, diz Mendonça. Sob qualquer aspecto há ganho para o transportador, implemento é multifuncional, servindo também para o transporte de contêineres, paletes e carga indivisível, até o passaporte que o veículo tem diante as restrições ao trafego de bitrens em fins de semana, por exemplo.

Carvalho diz que a novidade da Scania sobre quatro eixos tem tudo para ser sucesso: “Num momento que o transportador faz de tudo para manter a lucratividade de seu negócio o R 440 8×2 vem a calhar”, assegura. Para exemplificar ele lembra que o veículo oferece uma relação carga útil por tara entre 5 a 6% maior.

Para ele, a possibilidade de ganhos alcança 15% para a categoria e, com um comprimento de 18,60 metros e capacidade total para 43,5 toneladas, chega-se a um carregamento de 3 t por metro linear, o que garante uma ótima distribuição de peso e conservação das estradas.

O R 440 LA8x2 tem motor de 12,7 litros, potência de 440 cv, conjugado máximo de 2.300 Nm e freio motor de 261 kW. O entre-eixos é de 3,90 m e o eixo diferencial R 885 tem capacidade de 78 t, com relação 3,07:1. A caixa é a automatizada Opticruise de quarta geração.

Entre os opcionais estão o freio hidráulico auxiliar Scania Retarder de 4.100 Nm, rádio com GPS e faróis de xenônio. Os tanques de combustível cilíndricos e instalados logo atrás da cabina têm capacidade para 650 litros.

Linha P tem Cabine Estendida

Na categoria dos semipesados, linha dos veículos P com potências de 250 e 310 cv, a Scania desenvolveu uma versão de cabina estendida para atender todas as demandas dos clientes, que já dispunham das versões curta e leito. O objetivo, segundo Carvalho, é ampliar a participação da marca no segmento para 10%.

“Temos agora uma linha completa que inclui até o 8×2 de fábrica, com suspensão a ar, transmissão Opticruise e balança digital”, diz ele. A nova configuração deverá conquistar 30% dos pedidos da categoria, principalmente porque o carro deverá apresentar 95% dos clientes no varejo, entre pequenas empresas e comércio.

A Scania espera que desse terço, nada menos que 81% dos compradores sejam novos clientes. O modelo de cabina estendida oferece conforto suficiente e 400 quilos a mais de carga útil, para o que também contribui os pneus 275. A cabina pesa 100 quilos a menos e os pneus 50 quilos.

Entre cada tipo de cabina a diferença de preço é de R$ 10 mil, o que facilita muito a decisão na hora da compra. Com versões 4×2, 6×2 e 8×2. O modelo de maior sucesso é o P 310 na configuração 8×2 um veículo multifuncional com grande capacidade volumétrica, unindo seu entre-eixos de 6.300 mm e comprimento máximo de 10,3 metros. 

Os modelos que têm tido grande aceitação na distribuição urbana e em transferências rodoviárias de curta e média distâncias, tem motores de 9 litros de 250 e 310 cv com torques de 1.150 Nm e 1.550 Nm, respectivamente.

Um grande diferencial da linha é que os caminhões saem de fábrica com a caixa automatizada Opticruise de quarta geração, piloto automático inteligente Ecocruise, ar-condicionado, balança digital no painel, suspensão a ar e diversas opções de entre-eixos para atender a qualquer tipo de necessidade.

A começar pela balança digital, que mede o peso nos eixos traseiros e auxilia o motorista a cumprir a Lei da Balança e se livrar de problemas, o veículo foi desenvolvido para possibilitar a maior produtividade operacional possível e também a maior disponibilidade.

Outras ferramentas contribuem para isso: o Scania Driver Support, por exemplo, possibilita que o condutor tenha a companhia de um instrutor em tempo real no painel. É um sistema que atribui notas para sua direção e envia dicas para que ele aprimore sua operação do veículo, proporcionando maior economia de consumo e maior rentabilidade para a empresa.