Sem medo de valeta

07/06/2017 às 10:14 - Atualizado em 07/06/2017 às 10:14

Novos semipesados Atego integram um Pacote Robustez para assegurar aos veículos desenvoltura no trafego em estradas de terra, lombadas e atoleiros

Com o objetivo de agradar a gregos e troianos literalmente, a Mercedes-Benz acaba de apresentar o resultado de uma extensa pesquisa de campo e à demanda específica de um grande cliente: lançou um kit robustez, inserido na linha de caminhões Atego, usados normalmente em viagens mistas, enfrentando terrenos de alta severidade e também rodovias dos mais diferentes tipos.

O vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós Vendas da Mercedes-Benz, Roberto Leoncini, assegura que o pacote não é nenhuma armadilha para alavancar o preço dessa classe de caminhões: “A única coisa que mudou, e que lhe acrescenta irrisório 1,5% no valor, é o custo dos novos pneus 295, que substituem os 275.”

Pois bem, os semipesados têm feito bonito em toda esta década e estão estabilizados numa participação de 27% na matriz de vendas totais de caminhões no país. Um fenômeno explicável pelas dimensões do país e na flexibilidade que o veículo oferece.

Quem explica é Marcos Andrade, gerente de Produto Caminhões da Mercedes-Benz: “O transporte rodoviário de cargas no Brasil deve ao consumo nada menos que 60% de toda a movimentação e esse tipo de veículo é que consegue fazer as vezes de caminhão de transferência e de distribuição”, considera.

Além disso, esse tipo de utilização ocorre nas pequenas cidades, que representam 90% do número de cidades do Brasil e reúnem um terço de sua população. E o atendimento a essa massa residente em mais de 5 mil municípios é uma tarefa 100% feita por caminhão.

Também não é tarefa fácil, 86,5% das nossas estradas não são pavimentadas, o que exige o máximo de robustez dos veículos, ainda expostos aos buracos das pistas asfaltadas, à chuva, ao calor ou ao frio, aos alagados e areais. É problema que não acaba mais.

Começam por aí as explicações da nova “raça”. A mudança dos pneus faz parte de um subpacote que visa a aumentar significativamente o ângulo de ataque dos Atego às lombadas tão comuns nas zonas rurais e até mesmo nas pequenas cidades – aquelas com até 50 mil habitantes. Andrade explica: “Somando-se o ganho de 30 mm com os novos rodados mais um avanço do ângulo de entrada de 20% para 25%, os caminhões da linha agora circulam com muito maior desenvoltura”. Bônus para o pedido feito pela Via Lácteos, empresa de transporte de leite de Matelândia, PR, que recolhe o produto diretamente nas fazendas de todo o país.

Pelas qualidades do Pacote Robustez, o supervisor de Frota da Via Lácteos, Marcio Bragatti, não tem dúvidas de que foram os motivos de a empresa adquirir 10 Atego 1719 4×2 e outros 10 Atego 2426 6×2 para reforçar sua frota de 480 caminhões.

Parachoque tripartido, a proteção aramada dos faróis e o deslocamento da luz de seta para o final fuselagem lateral foram outros itens revisados do carro. Pode parecer pouco, mas não é. O Para choque, por exemplo, vive ”segurando a barra” na hora da operação, por isso reparti-lo em três para diminuir a despesa é muito proveitoso. Além disso, por que não fazê-lo com o mesmo material empregado no para choque do Actros, deforma mas não quebra.

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“Os semipesados trabalham em condições de trafego com muitas pedras e cascalhos, especialmente nas zonas de transição das estradas de terra para as pavimentadas”, diz Andrade. Mais alto é possível escapar das armadilhas do terreno.

Da mesma forma, e com ênfase para serviços urbanos e agrícolas, a mudança de posição das luzes de seta, asseguram menos problemas. Outro detalhe interessante foi o deslocamento da placa do veículo para uma posição lateral e mais acima da usual, no centro do pára-choque. A explicação é que a iniciativa tem por objetivo facilitar que o caminhão seja rebocado, pois o pino de engate ficava exatamente atrás da placa.

Assim, a linha Atego conta com 11 modelos, quatro medidas de entre-eixos e quatro tipos de cabina. Outras novidades são os modelos 1719 KO e o 1727 KO, ambos 4×2 e desenvolvidos para o transporte de lixo e para compactadores de 15 m³, porque muitas empresas acham o 1729 6×2, para 19 m³, um veículo muito pesado para o serviço.

Também classificado um serviço de alta severidade, os novos modelos ganharam embreagens super robusta com platô de 395 mm para encarar o pesado dia a dia da aplicação.          

Os motores podem ser o OM 924 de 185 cv ou o OM 926 de 256 cv e conjugados respectivamente de 700 Nm e 900 Nm. As caixas são automatizadas como a G85 (1726), G60 (1719 e a automática G181 (1729).

O sucesso de vendas do Atego em aplicações customizados, segundo Ari de Carvalho, diretor de Vendas e Marketing Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, tem muito a ver com a robustez e durabilidade: “Especialmente devido ao quadro de chassi herdado do Atron.”

Mas não é só isso, os veículos também se mostraram bastante econômicos. “Na operação de Giruá (RS) a média de consumo era de 3,17 km/l e o Atego 1719 baixou o consumo para 3,89 km/l”, diz Bragatti. Ganhar 720 metros por litro não é pouca coisa.

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